Notas sobre o Curso Certified ScrumMaster (CSM)

Esta semana eu tive o prazer de participar do curso Certified ScrumMaster ministrado pelo Heitor Roriz da empresa Massimus C&T (Curso oficial da Scrum Alliance) aqui em Porto Alegre.

O meu principal objetivo com o treinamento era reforçar os conceitos, ferramentas, práticas e principalmente valores do Scrum, visualizar os objetivos do scrum master (focando um contexto diferente do que estou habituado) em relação aos team members e em especial aos QAs e claro, buscar referências para continuar aprendendo e estudando agile.

“This course focuses on the basics of the Scrum framework, including team roles, activities, and artifacts, so that you can be an effective member of a Scrum team.”
(http://www.scrumalliance.org/pages/CSM).

Outro ponto que hoje é uma das minhas prioridades é a busca por melhorias das minhas soft skills, ou seja, das minhas habilidades de comunicação, planejamento, auto-gerenciamento, estimativas, resposta a mudanças e a problemas, comunicação com o cliente entre outras habilidades, que não estão relacionadas diretamente aos conhecimentos técnicos. Esse curso coube como uma luva, pois pude discutir com muitos scrum masters com mais experiência do que eu, ao mesmo tempo alinhar muitas dúvidas e expectativas sobre o Scrum e sobre agile de um modo geral.

Certified ScrumMaster

Certified ScrumMaster Course

The Certified ScrumMaster (CSM) course offers training in the Scrum fundamentals essential for ScrumMasters or Scrum team members.

O curso foi muito interessante, primeiro por proporcionar um ambiente de profunda discussão sobre os mais variados temas, desde o uso de scrum para gestão de projetos de software até sua aplicação em gestão de projetos de engenharia civil. O Instrutor mostrou profundo domínio e experiência, juntando uma dose de teoria à aplicando diversas dinâmicas onde simulados todas as práticas e ferramentas oferecidas pelo framework scrum.

A busca pelo conhecimento em Scrum tem se mostrado cada vez maior entre os brasileiros. Não somente agilistas, como também muitos profissionais que trabalham com modelos tradicionais de desenvolvimento de software, pois o scrum pode ser implementado parcialmente para solucionar problemas em quase todos os tipos de projetos, principalmente os problemas de comunicação.

Alguns pontos iniciais que merecem ser ressaltados:

Críticas ao modelo das certificações CSM e CSPO: Existem muitas pessoas que criticam esse modelo adotado para certificar profissionais, ou seja, você realiza o curso e de acordo com o parecer do instrutor, você recebe a certificação. O instrutor do curso, Heitor Roriz, publicou um post que resume muito sobre o motivo desse modelo e sobre as críticas atribuídas a ele (o modelo), mas ressalta o valor que esse modelo agrega em comparação ao modelo dominante que temos no mercado atualmente. No meu ponto de vista, um curso é quase sempre mais efetivo se comparado ao estudo isolado. Quando estudamos em casa, muitas vezes, principalmente quando o material é superficial, ficamos com dúvidas ou com falsas certezas, ou seja, o material nos fornece informações incompletas ou inconclusivas que nos deixa uma margem de interpretação grande o suficiente para criarmos um conceito baseado em nossas experiências, que não é o que o autor nos queria fornecer. De qualquer forma, ambos os modelos tem pontos fortes e fracos. Recentemente, a Scrum Alliance está mudando o modelo de certificação profissional, e vai adorar o modelo de execução de prova, mas somente para os profissionais que participarem de um treinamento oficial, ministrado por um CST (Certified Scrum Trainer).

Scrum e CMMi?!?!?!: Muitas pessoas questionam o fato de empresas buscarem certificações como o CMMi e o MPS.Br e comumente dizerem que usam SCRUM em seus processos. No meu ponto de vistam acredito que Scrum e CMMi/MPS.Br não podem conviver em sua plenitude, mas com adaptações, quase sempre favoráveis a burocracia do CMMi, é possível implementar um processo “aderente” a ambos, porem, desta discussão, eu prefiro me abster :). De qualquer forma, vale a pena ler um pouco sobre o como cada um vê essa fusão:

SEI sobre Agile e CMMi com o texto: “CMMI or Agile: Why Not Embrace Both!
Scrum Alliance sobre Agile e CMMi com o texto: “Agile and CMMI: Better Together

Ementa:

Definição do Scrum: básico do Scrum e do framework, princípios e valores que garantem a correta compreensão do Scrum.

Scrum Theory: as três pernas do Scrum (transparência, inspeção e adaptação) são explanados. Consequentes e fundamentais valores são analisados em detalhes: responsabilidade, auto-organização e auto-gestão, senso de urgência, comprometimento, excelência técnica, ritmo, disciplina, respeito e coragem.

Scrum framework: As reuniões, os artefatos e os papéis que compõem o processo Scrum.

Práticas de Scrum: práticas de estimativas, planejamento e outras que comumente usadas.

Agile Leadership: O que é e porque é importante para um ScrumMaster?

Coaching e facilitação: definição, cenários, coaching e técnicas de facilitação usada por ScrumMasters.

ScrumMaster Soft Skills: Dicas úteis e técnicas para construção de equipes de alto desempenho de gestão de conflitos.

Evolução do Scrum: Scrum Distribuído, Scrum of Scrums, configuração de Product Owners, Scrum além de software, Scrum e técnicas pré-definidas como PMBOK, CMMI.

Outros tópicos conforme demandado pelos participantes.

A ementa está disponível no site da Massimus C&T.

Pontos interesantes:

Livros Recomendados

Durante o treinamento, vários livros nos foram recomendados, dois deles são Lean Software Development an Agile Toolkit do casal Poppendieck e o Agile Project Management with Scrum do Ken Schwaber vistos no início deste post, mas além desses tivemos o nosso clássico Agile Testing a Practical Guide for Testers and Agile Teams da Lisa Crispin e Janet Gregory e vários outros com temas relacionados a Agile, liderança, processos e gestão de projetos.

Práticas

Exercitamos práticas do framework scrum, como o Planning Poker e Daily Scrum Meeting e conhecemos diferentes formas de elaborar o product backlog, de desempenhar sprint reviews e retrospectives e como tornar essas atividades mais produtivas e objetivas. Além disso estudamos algumas ferramentas para facilitar a comunicação em times pequenos e em times distribuídos ou com grande quantidade de membros, como por exemplo o Scrum of Scrums.

Dinâmicas de grupo

Várias dinâmicas foram realizadas para demonstrar o alguns dos valores que o Scrum prega como o auto-gerenciamento, coragem, senso de liderança, transparência, entre outros. A dinâmica sobre auto-gerenciamento foi um exercício retirado de um livro chamado “Jogos para Atores e Não-Autores” e fez muito sucesso com a turma, pois resume um conceito muito complexo e difícil de ser explicado ou exemplificando em uma dinâmica simples e divertida.

Troca de experiências e Network

O instrutor abria debates constantemente sobre experiências vividas em projetos, problemas, soluções e dúvidas. Essas atividades em treinamentos com essa caracteristica, onde várias pessoas de contextos diferentes discutem o mesmo assunto, é muito produtiva, pois exemplifica a teoria descrita no material e nas aulas e ao mesmo tempo ajuda a clarear conceitos com exemplos totalmente factíveis nos nossos ambientes de trabalho.

Workshop de Implantação

Um dos pontos mais críticos para qualquer prática, ferramenta ou processo, sem dúvida é a implantação. Vários desafios e problemas aparecem e a capacidade de  lhe dar com esses desafios pode ser crucial para a os profissionais envolvidos e inclusive para a diretoria da empresa. Como comentei no post “Penso, logo automatizo“, o uso incorreto da automação durante vários anos, tornou a prática mal vista por muitos profissionais, inclusive os profissionais com mais tempo de experiência. Erros na implantação do Scrum ou outro framework Agile, pode dar a ideia de processo caótico para os membros do time, que, na maioria das vezes, já oferece alguma resistência, pois toda mudança causa desconforto. Neste contexto, nos foi dada a seguinte pergunta: ”Sabendo dessas variáveis, quais como podemos lidar com isso?”

Muitos Scrum Masters colocaram pontos que, segundo eles, foram (ou ainda são) gargalos ou problemas na implantaçao do Scrum em suas organizações e em outras empresas que trabalharam. Juntos discutimos sobre esses pontos e  chegamos a atitudes que um Scrum Master pode desempenhar, baseadas nas experiências do grupo, o que tornou a discussão muito rica.

Todas essas técnicas usadas durante o treinamento facilitam a compreensão dos valores que formam o agile. Entendendo os valores, fica muito mais fácil compreender as cerimonias, as ferramentas e as práticas, não só do Scrum, mas de todos os frameworks para agile e lean.

Valores são difíceis de serem compreendidos em livros e em artigos, mas são de fácil compreensão quando vividos em alguma experiência. O que este modelo de treinamento faz é criar um ambiente favorável para a vivência desses valores, mesmo em dinâmicas ou exercícios.

Porque um QA/Tester deve se interessar em cursos como esses?

Apesar do curso ser voltado principalmente para gerentes de projetos e pessoas que desempenham papéis de liderança, um QA, que não tenha a pretensão em se tornar um líder hoje, pode extrair muito dos princípios ágeis além de entender melhor o que um Scrum Master ou um Product Owner espera dele. Além disso, para QAs que pretendem iniciar num mundo agile, o curso é bem completo, contemplando todo o processo do scrum.

Como comentei no post “The Bug Bang Theory 2.0 – Agile and Technical Testing Rocks!“, desenvolvimento ágil está com mais força que nunca e esse tipo de conhecimento é MUITO mais importante em várias empresas do que simplesmente conhecimento técnico. Em uma participação da Lisa Crispin para a revista Better Software Magazine, em seu artigo “Help Wanted: Hiring a tester with an agile attitude” (isso em março de 2006!), ela ressalta alguns dos conhecimentos técnicos, mas coloca alguns pontos como comunicação com o Product Owner, usuário final e desenvolvedores , além de situações comportamentais, como questões importantes para contratar um QA em um time Agile. Essas características são importantes em um ambiente tradicional, mas são muito mais cobradas em um ambiente agile, onde você é um auto-gerenciavel e precisa entender as necessidades do cliente/product owner e o contexto do projeto com muito mais clareza, tomando decisões todo o tempo. Comunicação em um time é muito mais do que enviar e-mails ou pregar post-its na parede, comunicação é conseguir transmitir com clareza as informações que o seu time precisa saber, e saber perguntar quando as dúvidas aparecerem.

Resumindo, acredito que o conhecimento técnico é parte das skills de um bom QA. É muito importante saber “meter a mão” no código e automatizar, inovar com aplicação de conceitos novos e de boas práticas de teste, mas os projetos de software da atualidade não estão procurando por testadores com skills como as de um developer senior e conhecimento Unix como as de um SysAdmin, se, em contra mão, esse profissional não tiver atitude para priorizar tarefas e responder rápido a mudanças por exemplo.

Mas atenção! O Certified ScrumMaster só pode ser ministrado por um instrutor CST (Certified Scrum Trainer).

5 Responses to “Notas sobre o Curso Certified ScrumMaster (CSM)”

  1. Vivian Kataoka

    Olá! Gostei do Post e do site!
    Há um tempo venho seguindo ele…
    Sou certificada tb em PSMI e gosto mto da área de testes.
    []’s

  2. Vinícius Andrade

    As pessoas tem que ter uma visão do todo, e me parece que é isso que esse curso te ofereceu.

    Para mim, o papel do QA está muito mais próximo do PO do que do SM.

    Abs.

  3. Paulo Caroli

    Grande Camilo!
    Muito boa a descrição do curso e do que você viu por lá.
    Acho muito legal que você (QA ágil) busca conhecimento muito além da área de testes.
    Abraços,
    Paulo

  4. Jaqueline

    Parabéns pelo site!
    Acho muito bom você compartilhar seu conhecimento e experiência com os interessados pelo assunto.
    O site está realmente bom e com conteúdo de qualidade.

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